RESENHA: What to Say Next - Julie Buxbaum

Às vezes, uma nova perspectiva é tudo o que é necessário para entender o mundo.
KIT: Não sei por que decidi não me sentar com Annie e Violet no almoço. Parece que ninguém aqui percebe pelo o que estou passando. Como eles poderiam? Nem eu entendo.
DAVID: Nos 622 dias que frequentei a Mapleview High, Kit Lowell é a primeira pessoa a se sentar na minha mesa de almoço. Quero dizer, nunca me sentei com alguém até agora. "Então seu pai está morto", eu digo a Kit, porque esse é um fato que eu descobri recentemente sobre ela.
Quando uma amizade improvável é desencadeada entre a relativamente popular Kit Lowell e o socialmente isolado David Drucker, todos ficam surpresos, principalmente Kit e David.
Kit aprecia a franca honestidade de David - de fato, ela acha que é bizarramente refrescante. David acolhe a atenção de Kit e sua natureza inquisitiva. Quando ela pede sua ajuda para descobrir o porquê e o motivo do trágico acidente de carro de seu pai, David está dentro. Mas nenhum deles pode prever o que encontrarão. A sua amizade pode sobreviver à verdade?
 Depois de me apaixonar por "Três Coisas Sobre Você", livro de estreia de Julie Buxbaum, não pensei duas vezes em ler "What to Say Next". O livro ainda não foi lançado no Brasil, mas a Galera Record já comprou os direitos da obra, então só nos resta aguardar o lançamento dele aqui. Mas enquanto isso não acontece, você pode saber mais sobre ele aqui.

"What to Say Next" conta a história de Kit Lowell, que perdeu o pai há um mês e está tentando voltar a sua antiga vida, e de David Drucker, um adolescente que foge dos padrões considerados "normais" pelos seus colegas de escola. Ele não se preocupa muito em encontrar rótulos para se definir. Apesar de não ter nenhum amigo, ele está muito bem, obrigado.
E se todos nós pulássemos de nossas caixas e mastigássemos nossos rótulos estúpidos? Quem descobriríamos? 
Tentando entender quem é agora, Kit decide não se sentar em sua mesa de costume com as duas melhores amigas, Anne e Violet, durante o almoço e se senta com David. Ele não tenta ser politicamente correto ao falar da morte do pai dela, optando por ser brutalmente honesto, o que surpreende e agrada Kit. Para ela, é bom ter alguém que simplesmente diz: "seu pai morreu" ao invés de pisar em ovos ao seu redor.

A honestidade de David faz com que Kit continue se sentando com ele no almoço, atraindo a atenção de todos seus colegas, e assim uma amizade improvável começa.
Agora penso na caixa que meu pai tão cuidadosamente criou para mim - e não apenas nesse porão, mas nesta cidade segura, esta casa com um sistema de alarme, essa família de três - e como isso não ajudou em nada para nos proteger depois de tudo . Essas eram coisas que meu pai fazia para se sentir melhor. Eu percebo que todos nós andamos por aí fingindo que temos algum controle sobre o nosso destino, porque reconhecer a verdade - que, não importa o que façamos, o fundo cairá quando menos esperamos - é simplesmente insuportável para viver. 
David tem um caderno que sua irmã, Lauren, o incentivou a criar e que contém informações detalhadas (às vezes detalhadas demais) de todos os alunos da sua turma, para que ele saiba em  quem confiar, evitando assim que ele se meta em situações complicadas.

"Três Coisas Sobre Você"  me conquistou por sua fofura e porque Julie Buxbaum mostra como adolescentes podem ser cruéis uns com os outros, caso você não se encaixe no padrão. Mas "What to Say Next" entra ainda mais nessa questão e vai tirar seu folego (literalmente) em alguns capítulos. É com essa obra que Julie consegue trazer emoções puras e cruas e te coloca dentro de mentes de duas pessoas muito diferentes enquanto elas sofrem. 

Isso é mostrado quando o caderno de David é roubado e todos os seus pensamentos mais íntimos são divulgados para todo mundo, ele fica se sentindo devastado, e não tem como você não se sentir da mesma forma nesses capítulos. É muito provável que você leia essas partes odiando os seres humanos. 
Pare. Não. É demais. O ruído e a luz e as vibrações e os pensamentos na minha cabeça, cada vez mais apertados, como se fossem dedos sufocando meu pescoço, e o sol esfaqueando meus olhos e uma mão desconhecida apertando minhas bolas, de uma só vez.  Eu me afundo mais nos meus cobertores. Uma última vez. Eu preciso escapar desse sentimento uma última vez: 3.141592653589793238462643383279502884197169399375105820974944592307816406286208998628034825342117067982148086513282306647093844609550582231725359408128481117450284102701938521105559644622948954930[...]
Kit também tem seus próprios demônios para enfrentar e com a ajuda de David, quer descobrir o momento exato em que alguém poderia ter pisado no freio e seu pai não ter sofrido o acidente que tirou sua vida. Ela e sua mãe estão passando por um momento muito difícil em suas vidas e um segredo vem para complicar ainda mais essa relação.

Estar na mente da Kit também não é fácil. Ela pode não ser tão complexa como David, e isso faz com que sua dor seja mais fácil de ser entendida e de se relacionar com ela. Há momentos extremos em que, ao mesmo tempo, você sente a necessidade de fechar o livro e parar a leitura, mas não consegue, porque é tudo envolvente de mais.
Todo momento feliz a partir de agora terá o persistente, amargo e doloroso gosto da perda
Três personagens secundários conquistaram meu coração durante a leitura: Lauren (a.k.a. Minnie), Anne e Violet. Lauren ajuda o irmão a ter uma vida social, já que ele não entende muito bem o sarcasmo e tende a levar tudo literalmente. Anne e Violet tentam entender o que está acontecendo com Kit e por que estão sendo ignoradas e quando menos se espera, elas se mostram fiéis a amiga e que estão do seu lado não importa o que.

Mesmo que já tenha escrito sobre bullying e luto, Julie Buxbaum coloca esses temas em uma nova roupagem e faz desse livro algo incrível e que vale a pena ler. Ele é igualmente doloroso, engraçado, fofo e com certeza vai te conquistar.
Há uma expressão famosa que que diz, se você conheceu uma pessoa com autismo, então ... conheceu uma pessoa com autismo. 
Então você me conheceu. 
Apenas eu. 
Não um diagnóstico. 
Eu percebo que eu machuquei você. Eu esqueci de pensar em você primeiro. Eu não me coloquei em seus sapatos, como diz a expressão. (Embora, eu acho que usar os sapatos de outras pessoas é meio desagradável, só estou bem com o conceito metaforicamente). 
Então, só para você saber, você é tudo sobre o que penso.
P.S. todas as citações do livro foram traduzidas por mim, então pode ser que ela seja diferente da tradução nacional do livro, quando ele for lançado.

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