RESENHA: Desperdiçando Rima - Karina Buhr | Clube do Livro

Música, poesia, cartas, recados, bilhetes, crônicas e desenhos. É dessa mistura que nasce Desperdiçando Rima, livro de estreia de Karina Buhr, lançamento do Fábrica231, o selo de entretenimento da Editora Rocco. No prefácio, a autora deixa claro que não há um assunto específico que ligue os textos: “Não existe isso de tema. Tema é qualquer coisa que respirar ou que a gente suspirar quando vê.” O livro traz textos inéditos, material adaptado das colunas que a autora escreve para a Revista da Cultura e a letra da música “Falta de sorte”, que faz parte do disco Vou voltar andando, da banda Comadre Fulozinha. Karina tem uma carreira consolidada na música. Além de inúmeras participações ao lado de artistas consagrados, os discos autorais Eu Menti Pra Você e Longe de Onde foram escolhidos entre os top 10 da revista Rolling Stone, músicas e disco completos, nos anos de lançamento. Com eles Karina fez duas turnês internacionais, tocando em festivais como o Roskilde, na Dinamarca, e no consagrado Palau de la Musica, em Barcelona. Com o primeiro disco Karina ganhou ainda o prêmio APCA de artista revelação 2010. Amor, guerra, a rua, o tempo, olhares para dentro e para fora. Em Desperdiçando rima tudo se mistura em prosa e verso para oferecer aos leitores, nas palavras de Karina, “sortimentos variados, cheiros azedos, gostinho doce e mais ou menos”, nascidos nas mais diversas ocasiões. É possível identificar sentimentos como alegria, saudade, raiva, amor e mágoa, bem como uma visão crítica em relação ao mundo em que vivemos. Entre um texto e outro, desenhos, nos quais a figura feminina se destaca.Diferentemente do que o título sugere, Desperdiçando rima faz bom uso das palavras, deixando a critério de quem lê escolher a ordem de saborear uma apetitosa “sopinha de letras”, como define a autora. “Falo com a parede enquanto escrevo isso, mas deve estar fazendo algum sentido no momento em que lê. Espero”, diz ela, que assume não gostar de prefácios ao escrever o de seu livro. Quem mergulha na obra de Karina certamente vai perceber que ela foi bem-sucedida: sua narrativa não apenas faz sentido, como toca a alma dos leitores.

O Clube do Livro do mês de agosto tem como tema "Literatura Brasileira", e nós aqui do Quarto decidimos trazer um livro de uma escritora que, vira e mexe, aparece nos nossos TOP7(5/10): a multi talentosa e multi maravilhosa KARINA BUHR <3!

não tem isso de tema.Tema é qualquer coisa que respira ou que, quando vê, suspira.

Isso de tema não vale tirar por ele, muito menos eu tentar explicar qualuqer coisa que acontece entre ele, meu olho, minha mão e o que aparece nesse livro pra você.Você.Falo com a parede enquanto escrevo isso, mas deve estar fazendo algum sentido no momento em que lê.Espero.
A Karina possui vários trabalhos musicais premiados, já fez algumas apresentações internacionais com eles, e sempre está envolvida com a militância de movimentos sociais, sendo que o mais alinhado a sua obra é o Feminismo.

Seu primeiro livro chama-se "Desperdiçando Rima". Ele é uma reunião de poemas, textos em prosa, crônicas, bilhetes e desenhos que retratam perfeitamente a complexidade deslumbrante do universo artistíco de Buhr. O título pode ser "Desperdiçando Rima", mas a única coisa que não rola aqui é desperdício.

O livro não possui uma divisão, ou qualquer ordem que possa orientar a sua leitura, é uma viagem por um caminho sem placas ou roteiro, onde a única coisa que pode servir como um norte, é a certeza de que pode não haver norte, ou sul, ou leste: é tudo tudo, sem direção.

É engraçado notarmos a irreverência de Karina para tratar de política, por exemplo, ou sua total visceralidade quando o assunto é amor, ou sua dureza na militância feminista. Num momento, ela compara São Paulo a Glutamato Monossódico, no outro, entoa o grito "hoje eu não quero saber de beleza/ouvir você me chamar de princesa/eu sou um monstro", que é a forma dela dizer que uma mulher não é só beleza e doçura, mulher é o que é, e o ela que ela quiser. E em outro momento, Buhr se dilacera em versos sobre o amor perdido, sobre a desilusão com a vida sobre a tristeza...

hoje desperdiço-me
sentada nesse jardim vendo a vida passar por mim assim
Hoje desperdiço-me
vendo um pedaço da vida passar por mim e ir
Karina Buhr é sangue, sangue correndo não pelas veias, mas também pela face, pelas mãos, escorrendo pelo chão e deixando rastro; Karina não é sangue, nem rastro, nem face, nem mãos; Karina é uma mistura de diversos recortes artistícos capazes de proporcionarem uma experiência literária que é única.

Eu só consigo completar dizendo que leiam. Eu li num artigo da revista Carta Capital uma frase muito cabível para a Karina "taí uma mulher também escrevendo". E DIZENDO QUE VOCÊS LEIAM, OUÇAM E VALORIZEM MAIS NOSSA CENA INDEPENDENTE, SEJA ELA LITERÁRIA, MUSICAL, CINEMATOGRÁFICA, NÃO IMPORTA: VALORIZE-NOS!

p.s.: galera de Sorocaba e do interior, o Festival Febre anunciou a Karina no line-up. VAMOS TODOS <3!

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