RESENHA: Geekerela - Ashley Poston

Quando Elle Wittimer, nerd de carteirinha, descobre que sua série favorita vai ganhar uma refilmagem hollywoodiana, ela fica dividida. Antes de seu pai morrer, ele transmitiu à filha sua paixão pelo clássico de ficção científica, e agora ela não quer que suas lembranças sejam arruinadas por astros pop e fãs que nunca tinham ouvido falar da série. Mas a produção do filme anunciou um concurso de cosplay numa famosa convenção valendo um convite para um baile com o ator principal, e Elle não consegue resistir. Na Abóbora Mágica, o food truck vegano onde trabalha, ela encontra a ajuda de uma amiga cheia de talentos para moda que vai criar o traje perfeito para a ocasião. Afinal, o concurso é a chance de Elle se livrar das tarefas domésticas impostas pela terrível madrasta e das irmãs postiças malvadas. Já Darien Freeman, o astro adolescente escalado para ser o protagonista do filme, não está nada ansioso para o evento, embora o papel seja seu grande sonho. Visto como só mais um rostinho bonito, o próprio Darien também está começando a achar que se tornou uma farsa. Até que, no baile, ele conhece uma menina que vai provar o contrário. Esta releitura de Cinderela transporta para o universo nerd os principais elementos do clássico conto de fadas, fazendo uma verdadeira homenagem a todos aqueles que sabem o que é ser fã e se dedicar de coração àquilo que amam.
"Geekerela" foi um dos lançamentos de junho da Intrínseca e assim que vi esse livro, senti que precisava dele na minha vida. Veja bem, quando criança, Cinderela era minha princesa favorita da Disney e confesso que sou apaixonada por todos os "A nova Cinderela". Então, mais uma releitura dessa história não faria mal, certo? Certo! 

Elle é absolutamente apaixonada por Starfield, uma antiga série de TV que ela conheceu através do seu falecido pai. Ela vive junto de sua madrasta Catherine e suas meio-irmãs, as gêmeas Calliope e Chloe, que fazem de sua vida um verdadeiro inferno. Elle espera ansiosamente seu aniversário de 18 anos para sair de casa, levando apenas os seus pertences e Franco — o cachorro do vizinho que praticamente vive abandonado. Deixar a casa onde ela passou sua vida inteira, onde estão todas as suas lembranças — sejam elas boas ou ruins — não é algo que ela queira fazer, mas precisa se quiser finalmente se livrar da madrasta.

Para seu plano funcionar, Elle faz questão de guardar cada centavo que ganha com o seu trabalho na Abóbora Mágica, um food truck vegano. Apesar de seu salário não ser um dos maiores, já é alguma coisa. E sua colega de trabalho não é tão ruim. Sage (na edição brasileira, o nome da personagem foi traduzido como Hera) tem cabelos verdes e não é de conversar muito.Normalmente, fica tão entretida em seus desenhos que nem percebe quando Elle chega atrasada no trabalho. Além de tudo isso acontecendo na sua vida, sua série favorita terá um remake para o cinema e seu maior pesadelo se concretiza: Darien Freeman, o astro teen será o protagonista.
É mais fácil sermos quem queremos ser quando não estamos tentando ser quem todo mundo pensa que somos.
Um ponto maravilhoso nesse livro é que ele tem dois narradores: Elle e Darien. Então nós não ficamos presos apenas ao que acontece no ponto de vista de apenas um personagem. 

Darien Freeman é ator e foi escalado para o papel da sua vida: Príncipe Carmindor, o herói e protagonista de Starfield, sua série favorita. Essa é uma grande pressão pra ele, que está apenas no início de sua carreira, além disso, seu maior medo é desapontar os outros fãs da série. 

Ele precisa provar para todo mundo — principalmente para Elle — que é muito mais que um rostinho bonito. Muito da insegurança que ele carrega no decorrer da história, vem da ideia de que viver esse personagem da maneira errada pode acabar com os sonhos dos fãs. E ele seria o responsável por tudo isso. E tudo fica ainda mais complicado por causa de uma certa blogueira que faz duras críticas sobre sua escalação para o filme.

Darien passa por muita coisa depois de aceitar o papel em Starfield, e não apenas o receio diante do julgamento que vai haver quando os fãs assistirem ao filme. Ele é solitário porque o pai-barra-empresário só o trata como um produto a ser vendido, o que inclui fazer um seguro para o seu abdômen; é inseguro por ter confiado em alguém que ele pensava ser seu amigo e ser traído por ele. Ele não pode viver completamente por causa da fama e do nome que carrega. 
— E Darien — ele nem sequer me confunde com o príncipe da Federação, o que não pode ser um bom sinal —, dá pra ser mais... — Ele balança a mão em círculos. Um maquiador pula para o cenário e vem ajeitar o sangue falso na minha testa. — Mais Carmindor?
Os mundos de Elle e Darien colidem quando eles começam a conversar através de mensagens de texto, sem que nenhum dos dois saiba com quem estão realmente falando. E são nessas interações que é possível perceber o quão parecido eles realmente são, onde eles podem ser realmente sinceros e contar coisas que jamais contariam para outras pessoas. 

A relação nasce daí, e é linda e tem um crescimento tão incrível. É uma amizade virtual, e transmite aquele sentimento de que um desconhecido consegue te entendendo melhor do que você mesmo. É o tipo de ship que faz o leitor morrer de amores e torcer para tudo dar certo no final.  A conexão se forma e você só quer que eles se encontrem e descubram quem são!
— Sabe, meu pai disse que as coisas só são impossíveis se a gente nem se der ao trabalho de tentar. Então quero arriscar.
Ashley Poston traz muitos elementos do conto de fadas original para sua obra. Destaque para a madrasta da Elle, que é extremamente abusiva com a garota. Elle é tratada como se tudo o que há de errado na vida de Catherine fosse culpa dela, desde a morte repentina do pai até a situação financeira da família. 

Catherine é controladora e usa o clichê "é o melhor para você", o que significa que não existe liberdade e nem possibilidade de diálogo. Ela é obcecada com a perfeição e, para ela, Elle não se encaixa nisso. Elle é a "aberração" em sua própria família. Chloe, é um exemplo perfeito do que esse tipo de criação pode fazer com uma pessoa. 

"Geekerela" é esse livro com título estranho, capa maravilhosa e uma história incrível que conquistou meu coração. Se tornou, sem dúvidas, um dos meus favoritos de 2017 e eu tenho certeza que vai entrar na sua lista também, se você der uma chance para Elle e Darien. 
— Ah... — Ele pronuncia a primeira sílaba, erguendo a mão para o meu queixo — ... ble... —, inclina meu rosto para cima e se aproximando lentamente, como duas supernovas prestes a colidir — ... na.
E, não sei como, neste universo impossível, a sua boca encontra a minha.
Acho que não me sentia tão apaixonada, nível boba, por um livro desde "Para todos os garotos que já amei" (QUE VAI VIRAR FILME!) e "Três coisas sobre você". Talvez eu realmente goste de YAs.

Se você já leu o livro, deixa aqui nos comentários a sua opinião. E se você não leu, fica a dica de um livro mara.

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