RESENHA: Lucas, Naim - Hilda Hilst | #QueerDosLivros



JUNHO É O MÊS DO ORGULHO LGBT <3! E como nós aqui do Quarto somos totalmente a favor das gay, das lésbica, das bi e das trans finíssimas, neste mês teremos diversas postagens relacionadas à cultura LGBT. Então você, bolsominiom, que por algum engano terrível veio parar aqui no Quarto, saia fora, pois realmente ninguém te quer aqui, ok? OK! Os posts virão acompanhados da tag #QueerdosLivros, que é para vocês conseguirem nos achar rapidinho em qualquer rede social (aproveita e dá um like logo ai).

A primeira resenha é sobre o conto "Lucas, Naim", da Hilda Hilst. A autora, aliás, sempre foi pró LGBT; de fato, há casos de gays que foram abrigados em sua casa, na chácara Casa do Sol, devido a problemas familiares decorrentes da aceitação da orientação sexual. Aliás, esse conto não o único em que a Hilda trata de gays marginalizados, ou mesmo de outras classes oprimidas; exemplos notáveis como "Rútilo Nada", "Unicórnio", "O grande-pequeno Jozu" fazem parte da tentativa de Hilst de dar voz à comunidade LGBT.

Seria meio difícil fazer uma sinopse do conto, pois ele não é exatamente linear e conciso para que seja possível tal coisa. Há um intercalação contínua e dispersa do narrador, assim como do espaço-tempo. Isso é muito comum na narrativa da Hilda, onde microcosmos são feitos em cosmos maiores e assim infinitamente.
Então como posso estando morto articular ingenuidades e como quem vai beber água te dizer: aconteceu que não imagino mais meu existir sem te ver a meu lado...
O mais chocante é a pressão que Lucas sofre por amar um homem. E, pela narrativa, Lucas é um homem mais velho, logo, configura-se, aqui, um "Grande escândalo" para a sociedade paulistana da década de 70. Veja, não é como se tivessem aparecido, uma multidão, em frente ao apartamento de Lucas com cartazes e tochas e tridentes, mas, afinal, quando se é gay, lésbica, bissexual ou transsexual não é assim que nos sentimos? Quer dizer, não é como se todo o dia aparecesse uma multidão na frente de cada decisão que tomamos?

O que mais impressiona na narrativa de "Lucas, Naim" é justamente essa pressão que Lucas sofre a todo mundo do mundo externo: por ser velho e por manter relações com outro homem.

E, ao final do conto, Lucas comete suicídio se jogando da janela de seu apartamento; o ponto mais alto do conto está neste momento, em que a narração assume a terceira pessoa, e então ele simplesmente pula.
Lucas caminha, o outro sorri, mudo, pela grande janela de onde há pouco se viu dois perfis, uma cara, pela grande janela, ágil, Lucas se atira.
Após a leitura desse conto, fiquei me perguntando quantos homens e mulheres, jovens ou velhos, devem ter cometido o suicídio para não confrontar a sociedade, que perseguia e, em muitos casos, matava o que fosse diferente? Quantos desses eu não conheci mas que, sem a minha vontade, ficam ressoando em minha mente, e guiam cada decisão que tomarei, buscando não ser o próximo nas estatísticas, ou, em  militância, de como fazer com que não existam outros tantos Lucas por ai?
É um conto brutalmente seco e apaixonado, mas essa não é a realidade de quem vive à margem social?

Nós aqui do Quarto esperamos que cada postagem sobre o Orgulho LGBT faça com que você, pessoa que lê, não apenas busque consumir mais coisa da nossa cultura, mas que aprenda, acima de tudo, a respeita cada um do jeito que são.


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