RESENHA: Eleanor & Park - Rainbow Rowell | BEDA #9 - Quarto dos Livros

RESENHA: Eleanor & Park - Rainbow Rowell | BEDA #9



Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.
A realidade, às vezes, torna-se insustentável para a literatura, pois não é raro encontrarmos contextos sociais que não são impressos com sua total vitalidade nas palavras. Não obstante, há um seleto grupo de autores e obras que conseguem transpor a difícil barreira entre a palavra e a realidade e nos presenteiam com o desnudamento de determinados contextos sociais e, também, levantam importantes questões que, sem o exímio trabalho do escritor, ainda estariam silenciados. Esse é o caso de Rainbow Rowell e seu memorável "Eleanor & Park".

Em pé, às suas costas, até que ele virasse para trás. Deitada ao seu lado segundos antes de ele acordar. Fazendo que todo o resto do mundo parecesse mais sombrio, mais superficial, e nunca bom o bastante.
Disfarçado como romance adolescente, o livro traz a realidade conturbada de Eleanor, que vem de um lar totalmente desestabilizado e opressor, e Park, que vem de uma família harmoniosa e, em todos os aspectos, feliz. Eleanor carrega consigo todos os aspectos que transformam um indivíduo em uma paria social: gorda, alta, independente e mulher (o que, todos sabem, nos Estados Unidos dos anos 80, uma mulher inteligente e independente não era muito mais que uma paria). Park possui coisas que desabonam socialmente também, porém, numa escala menor; ele é baixinho e asiático, mas não está, diretamente, na linha de ataque social direto.

A menina tinha a aparência exata do tipo de pessoa com o qual isso costuma acontecer. Não só por ser uma pessoa nova ali, mas por ser grande e esquisita. Com cabelo bagunçado, bem ruivo, além de cacheado. E se vestia como se... como se quisesse que as pessoas ficassem olhando. Como se não sacasse que estava um desastre completo. Usava camisa xadrez masculina, meia dúzia de colares estranhos pendurados em volta do pescoço e lenços amarrados nos pulsos. Fez Park pensar num espantalho ou nas bonequinhas das preocupações que ficavam na cômoda da mãe. Enfim, do tipo que não conseguiria sobreviver no colegial. 
Fora essas características, Eleanor vem de um lar totalmente desestabilizado, onde a mãe vive um relacionamento extremamente violento com o padrasto, e eles vivem em condições de pobreza em uma casa que mal dá para ter qualquer intimidade.

Improvavelmente, entre Park e Eleanor nasce um namoro que, aos poucos, toma proporções maiores e rende momentos doces e, ao mesmo tempo, tensos. A protagonista, quando vê a harmonia do lar de Park, se sente extremamente triste, por perceber que nunca teria algo daquele jeito. Enfim, enquanto os dois estão juntos, a montanha russa emocional e conflituosa que existe entre ambos, faz com que a cada nuance da adolescência e de uma realidade opressora seja registrada com uma destreza poucas vezes vista em um livro que, na capa, traz uma apresentação fofa.

O que eu posso dizer sobre esse livro é muito pouco, pois, como disse anteriormente, é duro traduzir as emoções em palavras, principalmente quando essas emoções são complexas. Resta-me pedir a você que leia o bendito livro, que se entregue a paixão adolescente, e aos conflitos de uma pessoa que não acha que merece ser feliz com alguém, porque não acha que seja alguém, e isso se deve, em parte, pela total hipocrisia moral que a cerca. E não chore durante a leitura.

E para terminar realmente: COLOQUE RAINBOW NA SUA VIDA!

Se você quiser conhecer mais livros da Rainbow, tem resenha de Fangirl aqui no blog.


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