RESENHA: Matilda - Roald Dahl

      Foto: Luane Chinaide

“Matilda adorava ler. Passava horas na biblioteca, lendo um livro atrás do outro. Mas, quanto mais ela lia e aprendia, mais aumentava seus problemas. Os pais viam televisão o tempo todo e achavam muito estranho uma menina gostar tanto de ler. A diretora da escola achava Matilda uma fingida, pois ela não acreditava que uma criança tão nova pudesse saber tantas coisas. Depois de mil peripécias, em que tentou se livrar da tirania dos pais e da diretora, Matilda acabou encontrando a compreensão de uma professora, srta. Mel, com quem foi morar”

Faz tempo que li "Matilda". Era meu primeiro ano trabalhando em uma livraria, e um amigo me dera, depois de eu insistir diversas vezes no poder de criação do Roald Dahl (quer dizer, estamos falando do homem que escreveu “A fantástica fábrica de chocolates” e “O fantástico Senhor Raposo”). Mesmo antes de lê-lo, eu sabia que acharia fantástico, pois estamos falando de um livro que foi adaptado para o cinema em 1996, tornou-se um sucesso e, desde então, é um clássico da Sessão da Tarde, que nos presenteou com uma doce história sobre o poder dos livros e da educação.

Quer dizer, vocês já conhecem a história. A menina que aprendeu a ler muito cedo, os pais não gostavam desse hábito, tão pouco incentivavam, e quando ela começa a frequentar a escola, acaba descobrindo que a diretora é a pior pessoa que poderia ter conhecido. Só isso já seria o suficiente para tornar Matilda a garota mais triste do mundo, mas, pelo contrário, quando ela começa na escola, faz bons amigos e conhece a mulher que mais tarde salvaria sua vida: a Prof.ª Mel.

-Você acha que todos os livros infantis deveriam ter coisas engraçadas?
- Acho - Matilda respondeu - Criança não é séria como adulto, criança gosta de rir.

É interessante ressaltar a importância de "Matilda" em uma sociedade que prioriza, de diversas maneiras, a educação segundo a Sra. Taurino, que vem pelo medo, que impõe sua posição de autoridade por meio do pavor que causa nas outras pessoas, no caso os alunos, e dá pouca importância a educação feita com amor e compreensão, que é o caso da Srta. Mel. É possível refletirmos na Sra. Taurino, um Estado opressor, que aliena e amedronta o cidadão, ao ponto que não é possível reagir.

E, que tal na contemporaneidade, compararmos Matilda com a queridíssima Malala, ganhadora do Prêmio da Paz, que foi baleada por querer seu direito a educação. Matilda e Malala tem muito em comum, quando pensamos, por exemplo, que apenas existe a vontade de estudar, de conhecer, de saber si e sobre o mundo por meio dos livros. Assim como Malala, Matilda floresce nos livros e nos conhecimentos, e ambas são oprimidas por forças governantes: Matilda pela Sra. Taurino e Malala pelo Talibã.

Enfim, "Matilda" é um excelente livro para crianças. E para adultos. E para idosos. E para adolescentes. É aquela história que te lembra como é ser criança, que te emociona e que te infla de coisas boas ao final. Entretanto, vale a reflexão final: somos Sra. Taurino quando lidamos com o outro, ou somos Srta. Mel? Pois, afinal, não estamos todos querendo mais amor e menos violência?

Matilda era duas coisas, principalmente inteligente. Tinha a mente tão ágil e aprendia tudo tão depressa, que mesmo os pais mais medíocres teriam percebido sua capacidade. Mas o Sr. e Sra. Losna, muito obtusos e fechados em suas vidinhas estúpidas, não notavam nada de extraordinário a respeito da filha.

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