RESENHA: A Herdeira (A Seleção #4) - Kiera Cass

     Foto: Luane Chinaide   

SPOILER ALERT! Se você ainda não leu os três livros anteriores, recomendamos que pare sua leitura por aqui e aguarde as próximas resenhas dessa série.

Vinte anos atrás, America Singer participou da Seleção e conquistou o coração do príncipe Maxon. Agora chegou a vez da princesa Eadlyn, filha mais velha do casal. Criada para ser uma líder forte e independente, ela nunca quis viver um conto de fadas como o de seus pais. Por isso, antes de conhecer os trinta e cinco pretendentes que irão disputar sua mão numa nova Seleção, a jovem está totalmente descrente. Mas assim que a competição começa, a situação muda de figura e Eadlyn percebe que encontrar seu príncipe encantado talvez não seja tão impossível quanto imaginava.

Não sei vocês se lembram, mas a minha primeira resenha aqui no blog foi de "A Coroa" (leia AQUI), último livro da série "A Seleção". Pode parecer meio estranho, mas nós vamos continuar com a ordem inversa louca das resenhas dessa série. Então vamos falar sobre "A Herdeira".

Sou Eadlyn Schreave. Nenhuma pessoa é tão poderosa quanto eu.
No quarto volume da série, conhecemos a jovem Eadlyn, filha primogênita de Maxon e Amercia, que, graças a uma alteração na legislação, é a primeira herdeira na linhagem do trono real. Quando se tornou o rei, Maxon propôs a extinção das castas, fazendo de Iléa um ambiente calmo e igualitário. Enquanto isso, Eadlyn foi criada e preparada para ser a rainha perfeita – desde pequena suas escolhas priorizaram as necessidades de seu povo.  A abolição das castas deu esperança ao povo, entretanto a medida não erradicou completamente o preconceito e os estigmas de cada número. Indignados e confusos, parte da população iniciou um movimento de retaliação à família real, o que colocou Maxon e America em situação complicada. Eles precisam criar uma distração enquanto pensam em uma solução para resolver os problemas de seu povo. E uma nova Seleção tem início!

Pela primeira vez Iléa terá uma seleção liderada por uma mulher e o castelo abre suas portas para que 35 rapazes tentem conquistar o coração da futura rainha. 

No início, a personalidade da Eadlyn choca um pouco e você se pega pensando: "como essa menina mimada e sem coração pode ser filha do Maxon e da América?!". E em boa parte do livro isso realmente me irritou. Não deve ser fácil ser jogada em uma seleção da qual você nunca quis fazer parte, mas isso não justifica o modo como ela trata os garotos ou sua família. Mas por outro lado, Kiera Cass conseguiu colocar um pouco de feminismo no livro; Eadlyn é uma mulher forte e independente, que quer ser a melhor rainha para seu povo sem depender de um homem ao seu lado. Mas o concurso faz com que ela assuma o papel da mulher frágil que precisa de um companheiro, algo que ela não nunca considerou ser e isso traz o pior de sua personalidade à tona. 
Por isso o amor era uma ideia terrível: ele enfraquecia as pessoas. E não havia nenhuma pessoa no mundo tão poderosa quanto eu.

Além de vários novos personagens, Kiera traz os favoritos de seus leitores de volta: Maxon, America, Lucy, Aspen, Marlee, Carter e May. Estão todos lá, mesmo que como coadjuvantes. Rei Clarkson estaria orgulhoso por ver que a America agora apenas balança a cabeça para tudo. Triste, mas verdade. Ela se tornou a rainha perfeita e no processo acabou perdendo um pouco de sua personalidade forte e obstinada. Cadê a América Singer que fez de tudo para tentar salvar a melhor amiga? Ou a que deu suas jóias para que um homem pudesse pagar sua dívida com o reino e voltar para sua família? Parece que ela não existe mais.
A vivacidade da tia May, a bondade de madame Lucy, a leveza de madame Marlee e a força da minha mãe não tinham preço; ensinavam mais que qualquer aula que tive na vida.
Os rapazes trazem algo novo para essa seleção. Ao contrário das garotas, eles preferem se manter unidos ao invés de brigar, fazer intrigas e fofocas. Mas mesmo assim eles são capazes de abalar um pouco das defesas que a princesa do gelo e fazê-la perceber que, talvez, se apaixonar não seja tão ruim assim e muito menos um sinal de fraqueza, como ela imaginava.

Além de Eadlyn também conhecemos um pouco sobre os outros filhos de Maxon América: Ahren, irmão gêmeo de Eadlyn, Kaden, que se sente pronto para ser o próximo rei de Iléa e Osten, que adora aprontar com todo mundo no castelo. A relação entre os irmãos não é muito explorada no livro, o que é uma pena. Mas os poucos momentos que temos mostra o quanto os quatro são unidos e fariam qualquer coisa para ver o outro bem.

No geral, "A Herdeira" conseguiu conquistar o meu coração (até mesmo a Eadlyn). Alguns acontecimentos fazem com que a protagonista tenha que amadurecer e perceber que o mundo não gira ao seu redor. O que faz dela uma personagem muito mais agradável e mostra que há muito mais nela do imaginávamos. Ela não é mais apenas uma garota mimada e foi isso que me fez terminar o livro. Embora muita gente tenha criticado a Kiera por ter transformado a trilogia em uma série, ela consegue trazer novos e antigos personagens de uma forma especial. Nostalgia e novidade resumem bem "A Herdeira".


Quando você sabe quem é importante para você, abrir mãos de algumas coisas, e mesmo de si própria, não parece um sacrifício.
E se você quer saber o como termina essa seleção, nossa resenha de "A Coroa" está aqui.







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